Disturbios Alimentares – Como identificar?


O ato de se alimentar acompanha o ser humano desde o nascimento.
O primeiro movimento natural do bebê, após o choro, é o de movimentar a boca como se estivesse sugando, já se preparando para o leite materno. No entanto, a refeição não é composta apenas de cereais, proteínas ou hortaliças. Também está recheada de sentimentos e emoções que vivenciamos no dia a dia. Quem nunca comeu chocolate ou sorvete buscando bem estar num dia de tristeza? Algumas pessoas, porém, vão além do exemplo citado, desenvolvendo um distúrbio alimentar.

Anorexia e Bulimia são palavras que estão em alta no momento.
Mas qual a diferença entre as duas?

Vamos imaginar a história de Mia, 19 anos.
Ela sempre esteve no peso normal, mas sempre se cuidou para não engordar. No entanto, com as pressões do vestibular e do namorado, a falta de dinheiro em casa e a insegurança a fazem passar tão mal que às vezes chega a vomitar.

Bulimia

Certo dia, após comer muito, ela sente-se pesada e indisposta. Vai ao banheiro, vomita, e sente um imenso alívio. Mia passa a utilizar-se desse artifício várias e várias vezes, e quando percebe, já não consegue mais controlar-se. Vomita quase todos os dias, sente mal estar, dor de cabeça, seus dentes começam a ficar desgastados, seu cabelo começa a ficar quebradiço, e o pior: chega a ganhar peso.
Mia agora sente-se gorda, mas vai cedendo cada vez mais aos episódios de compulsão: chega a ingerir até 5000 calorias numa única refeição. E chora, sem saber o que fazer. E vomita tudo depois. E sente-se aliviada, triste, cansada, e espera o dia de amanhã.

Ana, 28 anos. Dentista, consultório próprio, tem uma clientela considerável.
Seus pais são bastante atuantes em sua vida, decidiram sua carreira, montaram sua sala e fazem propaganda entre parentes e amigos. Ana sempre foi magra, tendo todos os tipos de apelido quando era mais novaNa faculdade, teve apenas um namorado, mas não seguiu o relacionamento.
Apesar de ser bonita e saudável, Ana começa a preocupar-se com a saúde, pois acha que está envelhecendo e ficará solteira para o resto da vida.

Anorexia

Começa então a malhar e a restringir alimentos, apesar de continuar comendo doces.
Seus amigos a elogiam e dizem que ela está linda, mas ela não acredita, pois ao se olhar no espelho vê um corpo cada vez mais inchado e sem formas.
Continua malhando, passa a se alimentar apenas de alguns alimentos, isso quando não fica horas ou dias sem comer.

Seus amigos e familiares começam a dizer que ela deve maneirar na academia e se alimentar melhor, mas ela não entende a preocupação deles, pois o espelho diz o contrário. Um dia então Ana desmaia e acorda no hospital, onde seus pais a internam para tratamento pois Ana pesa apenas 35kg tendo 1,70mt de altura.

Mia e Ana na verdade são abreviações para Bulimia e Anorexia.


Ao pesquisarmos na Internet, encontramos diversas correntes pró-Ana e pró-Mia, e podemos perceber que esse não é um mal que atinge apenas modelos, atrizes, bailarinas e adolescentes. Atinge donas de casa, profissionais de sucesso, crianças, homens, senhoras.

Se todos podem desenvolver um distúrbio, o que fazer?

A primeira coisa necessária é que alguém intervenha. Não espere que a adolescente crie consciência” ou o jovem pare de frescura. Eles provavelmente estão sofrendo, mas não percebem ou nao consideram isso um problema. Problema para eles é ser gordo, pois gordura é sinônimo de preguiça, desleixo, fraqueza e sujeira. Se você tem um amigo ou parente que esteja nessa situação, a melhor coisa é procurar a ajuda de um profissional. Marque a consulta com um psiquiatra ou psicólogo, e leve seu amigo/parente, pois dificilmente ele terá essa iniciativa.

Existem diversas instituições que oferecem atendimento gratuito para pessoas com distúrbios alimentares. Em São Paulo, o HC tem o Ambulim, um dos maiores centros de referência na área. A Unifesp também conta com o Proata, na Vila Mariana, com excelente atendimento. O tratamento costuma ser de longo prazo, incluindo medicação e terapia.

Texto escrito pela colaboradora:
Carla Kawanami, psicóloga,CRP 06/96109.
Formada pela USP (Universidade de São Paulo)
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1 Comentário

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